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As linhas com que me coso

02 setembro 2016

As linhas com que me coso são tantas como os trabalhos que tenho em mãos. Assim como as mesas que podem ser várias ao mesmo tempo e neste momento são três.

Há trabalhos que exigem espaço, mais espaço do que outros. Por isso para alguns basta uma secretária e para outros é necesário recorrer à mesa da cozinha. E é neste ambiente que se trabalha, com os tecidos espalhados, às vezes durante vários dias, até depois de tanto olhar para eles e em diferentes ocasiões, se consegue finalmente tomar uma decisão, na escolha das cores, do padrão a seguir... e se avança mais um pouco até parar novamente.

Só sei trabalhar assim, mesmo que antecipadamente desenhe o que vou fazer, acontece ter de mudar à medida que avanço e muitas vezes desmanchar para fazer diferente.

Começada há vários anos com a ajuda da M, a pensar numa manta construída em conjunto, acabou por ficar parada até agora.
Será para ser feita aos poucos, sem pressas para não atropelar as prioridades.

Manta com uma réstia de sol

25 agosto 2016








Uma nova Manta tricotada nos mesmos fios da Serra da Estrela.
Com a ajuda da noveladora, que não sendo indispensável para este efeito ajuda muito, consegui novos tons apenas juntando os fios que tenho disponíveis.

Ao desenhar esta colecção de Mantas pensei essencialmente nas crianças mais pequeninas, daí a decisão de terem estas medidas mais reduzidas adequadas a um berço, à primeira cama ou para serem utilizadas como xaile para aconchego. 
A escolha dos fios foi também no sentido de obter uma malha macia, leve e fácil de moldar ao corpo da criança, está mais do que provado e quem tem filhos sabe por experiência, a capacidade calmante  que tem para o bébé, o sentir-se confortavelmente envolvido.
Uma Manta pode ser um substituto ou um complemento ao colo de quem cuida e acarinha. 

São peças inteiramente feitas à mão, pedaços tricotados separadamente e depois unidos ponto a ponto, todas elas são únicas e é assim que continuarão a ser.  

Só consigo encontrar sentido num trabalho pensado e produzido em pequenas séries ou colecções, desde que além dos pontos em comum que fazem a ligação entre cada peça, possa incluir como complemento alguns detalhes únicos e daí consiga obter um conjunto formado por elementos únicos.  
Acredito que por todos termos os mesmos direitos, merecemos também e precisamente por isso, o mesmo direito a poder ser diferentes.
...

Tal como os Colares, também as Mantas estarão em breve disponíveis nas lojas da Burel Factory.

Dias luminosos

13 junho 2016






Aproveitar todas as horas de sol que me entram no atelier, compensando os dias sombrios em que sou forçada a trabalhar com luz artificial.

De todas as vezas que vou a Braga passo na mesma Florista de rua. Vende plantas em vasos mais pequenos, é possível comprar suculentas em doses reduzidas e a metade do preço normal. 
Desta vez deu-me a escolher preço com vaso e sem vaso. 

Uma das minhas paredes preferidas, com desenhos da M e uma ilustração da Yara Kono, via Mariamélia e umas portas/janelas de ambos os lados que me inundam as manhãs de sol e os dias de boa disposição.

Uma manta terminda, uma série nova que aí vem e algumas novidades boas para a Mi Mitrika.

Paisagens que trago comigo

31 maio 2016













A intenção era usar a lã da região de forma a interpretar a paisagem e os pastos que a rodeiam quando, ainda agarrada à pele da ovelha, percorre os caminhos ditados pelo pastor.
Enquanto trabalho nestas peças, Manteigas está no centro do meu mapa.

Experimentar os novos tweeds em pura lã. Mantas mais pequenas que me estão a permitir dar outros passos.

Paisagens que transporto comigo de casa em casa. 
Mantenho-as ao alcance dos olhos enquanto trabalho, em comum, a natureza e o branco da neve .

Fotografia duma obra de Katinka Bock
Winterlandschaft mit Hut, 2011
[Paisagem de Inverno com cabana]
Calcário, feltro e areia

Fotografia dum campo lavrado com neve.
Dum passeio em que levamos a minha filha a conhecer a neve pela primeira vez.
Vila Pouca de Aguiar

Em cima da mesa o que tenho em mãos e como sempre são vários projectos ao mesmo tempo.
Porque os dias são curtos para tudo o que espero fazer deles e o trabalho é uma das prioridades que há muito já foram definidas, porque o corpo reclama e há necessidade de alternar os gestos doridos de cada ofício, porque enquanto concretizo certas peças posso ir reflectindo melhor noutras que estão a amadurecer, porque uma ideia leva a outra e reuni-las dá-me uma visão concreta do que ando e poderei vir a fazer.

Liteira

24 fevereiro 2016




A primeira peça criada este ano foi uma manta. 

Por carregar comigo a memória dos tapetes de trapilho que sempre fizeram parte da nosssa casa, das mantas de lã que a minha avó fazia no tear, que depois nos cobriam as camas na vez de cobertores e das riscas coloridas comuns a todos eles, dei-lhe o nome que sempre ouvi chamar aos manteiros que cobriam a eira, onde em pequenos, nos sentavam para brincar ao sol. 

Desde hoje há uma nova Manta na loja, chama-se Liteira.

Querer é Fazer

08 setembro 2015























Este mini Adufe veio parar-me às mãos pois alguém se lembrou de mim na hora de o deitar fora.

Não me incomoda que pensem em mim em alturas como esta, alturas em que cabe escolher para decidir. Pode ser difícil desfazer-mos-nos de pertences e pensarmos uma e duas vezes antes de os deitar definitivamente ao lixo, é mudar o destino dum objecto, neste caso foi tirá-lo da condição de inútil.
Colocaram-me entre esses dois momentos, se entre um e outro me vierem parar às mãos mais objectos como este, não me importo desta minha situação temporal aliada ao meu lado respigador.

Durante uns tempos ficou pousado em cima dum móvel e com certeza que passar por ele tantas vezes acabou por me permitir vê-lo sobre várias perspectivas, inclusive a de manta. Tem a forma dos quadrados que muitas vezes uso na construção das minhas mantas e os pompons que me remetem  para um universo infantil que me agrada.
A escolha das lãs passou pela vontade de experimentar algumas que ainda não conhecia, como a Zagal e as que normalmente são usadas nos tapetes de Arraiolos, com uma paleta de cores tão grande que é difícil não querer trabalhá-las todas. Testar fios tradicionalmente usados para um determinado fim, como estes usados para bordar os tapetes de Arraiolos, era uma ideia em que andava a matutar há muito.

Gosto de contrariar a ideia de que tudo o que é destinado a crianças tem de ser macio, delicado e "fofo".
Nem sempre a lã é macia, mas é uma fibra natural, não causa alergias, permite uma transpiração normal e necessária à pele e é mais quente do que qualquer outra fibra sintética.
É tão delicada com são as ovelhas donde provém e nada pode ser mais delicado para manter em contacto com a pele dum bebé, do que um produto tão puro e que não recorre a químicos para o tornarem artificialmente macio.
Quanto a fofo, é um adjectivo que me causa arrepios, tanto como o contacto com as fibras sintéticas.

A Manta é espessa e quente e serve ao mesmo tempo de tapete, se quisermos colocar o bebé deitado no chão. 

Se foi possível olhar para um Adufe e criar uma Manta, porque seria menos provável olharem para uma manta e imaginarem uma Gola?

Depois de me contactarem com essa dúvida e esta declaração: "I leave the creation totally up to you:-) Oh yayyy, I do look forward to having your work warming my neck!"
(fossem todos os pedidos nestes termos e seria sempre um prazer trabalhar por encomenda), a resposta foi a única que poderia ser!
Numa curta troca de mensagens foi possível acertar tudo, combinando a substituição de algum "fio de Arraiolos", apenas uma pequena parte, por uma outra lã da mesma cor, mas menos rígida e mais confortável para usar à volta do pescoço.

Querer é Fazer e neste caso bastou encomendar, a peça está prestes a nascer e em breve irá a caminho de Singapura.

A partir do mesmo Adufe muitas outras peças poderão surgir, não só a forma, mas também a musicalidade são inspiradoras, é possível rolongar-lhe a vida além da função de instrumento, acrescentando novas histórias à sua. 

Tranquilo mês de Agosto

01 agosto 2015
























Sítios românticos para dar asas ao amor.

Uma porta em ferro com desenhos bonitos, a sugerir muitas ideias.

Tempo e espaço para sentir e se render à preguiça, sem medo e sem culpa, está de férias.

Uma imagem de quando andei a fotografar os artigos para a loja online da Lopo Xavier.

Organizar e registar. As minhas coisas e as dos outros.
Como organizar e arrumar exige espaço, e "mais" espaço só se consegue tendo "menos" coisas, estamos a planear uma Venda de Garagem. Como não temos garagem vamos usar esta espécie de anexo, que é o blogue.
A data não está marcada, depende do tempo que demorarmos a seleccionar e fotografar tudo o que já não queremos, mas que esperamos alguém irá querer e muito!

Em todos os sofás há um lugar especial. Pode ser aquele que todos procuram e que está sempre ocupado pela manta.
As minhas mantas, disponíveis aqui.

Um tapete que se pode colocar no chão, pendurar na parede e que por vezes gosta de descansar numa cadeira. À espera do Inverno, quente e acolhedor como só a lã consegue ser.

Posso até estar enganada, mas mais uma vez, este promete ser um tranquilo mês de Agosto... 

Manta de Abril em Maio

01 maio 2015



















Foi uma das mantas que mais prazer me deu fazer, por todas as razões e mais alguma. 
Pela especificidade da lã, pela sua rusticidade que me atrai e até pela experiência que é encontrar, pelo meio do fio e ao longo do trabalho, pequenas plantas que se entrelaçam no fio e lhe conferem (e confirmam) este carácter tão natural.

É uma manta quente, daquelas que nos transportam para um ambiente confortável e cheio de memórias. 
Uma manta que se guarda para a vida e se espera, seja das que resistem a modas. Uma manta das que se oferecem a alguém especial e se tem a certeza que passará de geração em geração.

Uma manta feita ao longo de meses, terminada em Abril e mostrada em Maio. 

Nada é por acaso.

A lã é portuguesa, 100% Beiroa, numa paleta que vai além de 16 cores.
Enquanto a loja da Mi Mitrika não está pronta, a Manta estará apenas disponível através do meu contacto.
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A Almofada é cá de casa, mas há outros modelos disponíveis na loja Mariamélia.
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Mais fotografias do processo de construção da Manta de Maio, aqui.

Mudar da noite para o dia

22 novembro 2014


































Começar a ver casas recuperadas em que se recorre novamente à telha de lousa para revestimento exterior de paredes, é um bom sinal.
Mudar constantemente de casa é não ter casa nenhuma. 
Voltar a poder estender um trabalho no chão, para o ver na totalidade é conseguir dar-lhe continuidade.
Tomar consciência do quanto as mais pequenas coisas nos condicionam a vida, é quase assustador, lidar com esta certeza também. 
Quando rotina era sinónimo de estabilidade, pede-se à rotina que regresse rapidamente, depois de instalada nós cá estaremos para tratar de a desestabilizar.
Estamos a viver desligados de electricidade. A partir das 17:30h cai a noite, deixamos de ter luz natural e é como se também nos desligassem. Resta-nos acordar mais cedo para prolongar o tempo útil, esperar por Segunda Feira e pelos senhores da EDP que nos hão de iluminar os dias e as noites, que isto de viver às escuras muda-se tão rapidamente como da noite para o dia.
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Uma casa em todos os sentidos. Uma das muitas que ela faz e eu gosto muito.

A manta dele

27 outubro 2014




Já tinha feito uma para a irmã, faltava uma para ele. 
Quando a experimentou ainda não sabia que a ía ser dele. Disse que gostava pois lembrava-lhe as mantas que as velhinhas têm nas camas. 
Recebeu-a no dia de anos.
Para mim, fazer uma manta à mão para ele guardar como recordação, foi como se lhe oferecesse um abraço, quente e confortável, dos que ficam para sempre.

O que me inspira

11 setembro 2014


A inspiração pode chegar pelo toque nos fios e o que nos sugerem, pelas cores, pelo material que temos disponível, pelos conhecimentos que temos ou pelos que não temos...
Ainda não me cansei de fazer mantas e apesar de manter uma linguagem muito próxima de modelo para modelo, gosto de variar nalguns detalhes. Em crochet já fiz várias com rosetas quadradas, desta vez quis experimentar duas coisas, uma lã nova para mim e um outro modelo de roseta, hexagonal. A lã é da Rosa Pomar e depois de já ter encomendado à Retrosaria algumas meadas, que chegaram pelo correio, não resisti a umas cores que encontrei casualmente na Vida Portuguesa. Os hexágonos são uma mistura ente as rosetas quadradas e este modelo que já tinha mostrado aqui. 

Há algumas mantas com rosetas que demonstram bem como na maior parte das vezes os trabalhos mais bonitos, são os que conseguem uma boa ligação entre os materiais e as conjugação de cores, as mantas da Rita Cordeiro e da Alessandra Taccia são um exemplo disso.

A manta de riscas está quase no fim, falta apenas o remate a toda a volta. Aqui a base que serviu de inspiração foi o reaproveitamento dos restos de lã que guardo de outros trabalhos. O resultado final não deixa de ser semelhante aos tapetes de trapos (em que se aproveitam restos de malha de algodão) que tanto gosto de usar.