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Estes dias e os outros

31 outubro 2016

Nestes dias temos menos luz, mas muitas mais sombras.

Temos um gato que se esconde nos sítios mais inalcançáveis.

Por esta altura do ano há uma natural decoração outonal em casa. 
Quando penso nisso, sinto que a casa não seria tanto nossa, se neste mês não houvesse pelo menos uma abóbora na cozinha.

Não comemoro este dia em especial, mas tento comemorá-los todos.
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Sobre os dias doutras épocas, mas sobretudo desta, uma considerável reflexão do sociólogo Zigmunt Bauman.
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Há dias melhores que outros

18 setembro 2016

 Picnic da família em 1925, imagino que fosse Domingo.

Nunca gostei de Domingos, salvá-los seria poder passá-los assim, todos, entre família e amigos.

Celebrar

31 julho 2016




Reunir os amigos de sempre com os amigos que se fizeram desde que nos mudamos para o Porto e celebrar a vida.

Ter a M na cozinha a preparar, o que já consideramos entre nós, as especialidades dela, Pão de banana e frutos sivestres, Quiche de vegetais e uma mistura de Humus e Guacamole.

Como para quem gosta de cozinhar, experimentar e descobrir faz parte da aventura, a maior parte das vezes não segue uma receita, para o Pão de banana (em que usou mirtilos em vez de framboesas) a receita veio deste blogue.

Há dias em que a festa se prolonga pela noite adentro, são dias maiores.

Dia sim, dia não

11 fevereiro 2016







Viver, dia sim, dia não.

Neste ambiente de penumbra, um sopro de ar é uma nesga se sol que entra pela janela e atravessa as cortinas.

Os meus fantasmas estão por todo o lado. Alguns tenho-os metido em caixas, escrevo Devolver e fico à espero que isso me devolva alguma da paz que anda perdida. Outros hão-de continuar por aí.

Dia sim, pelo meio dum não.

Enfiar-me por uma poça adentro e bater com a cabeça no céu.

Virar a página e dia sim.

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Algumas mensagens, de tão importantes que são, nunca é demais partilhá-las, deixo este vídeo.

M E T A M O R F O S E

12 outubro 2015


Dum dia para o outro tornou-se irreconhecível.
Depois de despir o fato das riscas, que deixou amarfanhado e empregnado (ao investigar mais sobre o assunto descobri que na pele está o segredo da autodefesa) de veneno num canto, à laia de roupa suja à espera que a hospedeira arrumasse, acomodou-se na única haste de arruda que não chegou a devorar e ali está.

Quieta e concentrada no processo de transformação que espero a leve a tornar-se numa mistura de pássaro e insecto, uma borboleta que tem cauda de andorinha. 

O que se passa agora, dentro daquela espécie de amendoim verde manchado de amarelo, é um mistério que só ela sabe.

Fruto da época

01 julho 2015














As melhores ameixas do mundo são as que o meu pai colhe para mim.
Ao longo dos anos tenho guardado muito do que o meu pai tem colhido para mim e há de tudo, aqui.

Desafiar os dias

13 junho 2015



Podia ser a vida por um fio, pareceria demasiado dramático, mas tem dias que o são, assim dramáticos em que sentimos a vida por um fio.

Desafios do dia a dia, o maior deles, viver melhor.
Trabalhar para um projecto de vida, um projecto teu, duma vida que não é senão tua.
Defender tudo aquilo em que te metes, porque é nisso que acreditas e se preciso for, dar a vida.

O que me move

26 maio 2015


As sombras e os recortes que o sol faz nas paredes desta casa e que vou descobrindo a cada dia que passa.

Um postal da Sabine que me faz sorrir sempre que olho para ele.

O meu colar novo, feito com coisas menos novas, mas que me deixa brincar com as cores à minha maneira.

As folhas que trago comigo para casa, das Tílias do jardim da Cordoaria.

O que me move é quase nada. Devagarinho.
Coisas poucas que me são muito, em dias que às vezes são nada.

As afinidades electivas

09 maio 2015





Hoje foi dia de ir a Braga, há dias certos para ir a Braga marcados com antecedência e sempre marcados por vésperas carregadas de ansiedade.
Com horas marcadas e o medo de perder o comboio chego sempre cedo demais à estação, depois ando por lá a vaguear... mas não muito. Parada em frente à tenda dos Doces Regionais, daqueles que também se vendem nas Feiras, perguntei ao vendedor se podia tirar uma fotografia, porque eram lindos assim brancos, cobertos de acúcar e todos alinhados. 
Ele riu-se: 
Claro que sim pode tirar as fotografias que quiser e ainda lhe digo mais vou dar-lhe um para provar.

Agradeci-lhe a simpatia, e afastei-me levando a boca e o coração mais doce. Não sou grande apreciadora destes bolos mas aquele soube-me pela vida. Melhor, soube-me a vida. À vida que eu gostaria que fosse a minha, com pessoas gentis e capazes de dar, coisas simples que nos fazem ganhar os dias. Este dia que já começara mal de véspera e que foi salvo por aquele gesto. 
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No outro dia entrei na minha Florista preferida aqui nos Clérigos. Tentou-me um vaso de Brincos de Princesa, que para mim continuam a ser Lágrimas e que estava pendurado na porta. Tenho por costume regatear preços, acho que aprendi com o meu pai, nas muitas idas às feiras. A florista disse que não podia descer o preço, a margem já era pouca e não ganhava muito.  Apesar de lhe dizer que estava a ser mazinha, riu-se e citou o ditado que diz que as pessoas más vivem mais tempo. Não quero acreditar nesse ditado e pelo vistos ela também não.

Tinha recebido Violetas e eram imensas e de cores diferente. De repente lembrei-me que em adolescente tinha a mania que a marquise da casa da minha mãe havia de ser uma estufa e fazia de tudo para a tornar uma espécie de incubadora de plantas. E uma das coisas que mais gostava era de aproveitar as folhas das Violetas que partiam para as transformar em novas plantas. O processo é tão fantástico como simples e o acto de criar uma planta, desde o início, é algo comparável ao de gerar uma cria.
Partilhei esta memória com a Florista e ela respondeu-me enquanto me virava as costas: Desde que eu não veja pode levar as folhas que quiser, mas desde que eu não veja. 
E eu não a deixei ver as duas folhas que tirei, uma de cada vaso.

Quando a M era pequena muitas vezes colhi Brincos de Princesa para lhe enfeitar as orelhas, mas para mim, o vaso que vi pendurado na porta da loja e me levou a entrar e que comprei para trazer para nossa casa, continua a ser um vaso de Lágrimas.

A Florista, que conheci naquele dia, combinou comigo guardar todas as folhas de Violetas que se partissem por descuido e que todas as Quintas Feiras, de todas as semanas, poderia passar por lá.
Passaram duas semanas, tenho quatro folhas à janela à espera de germinarem.

Na mesma semana, uns dias antes, tinha tido uma outra conversa também com uma vendedora de flores, desta vez porque era 25 de Abril e eu procurava Cravos.

Dizem que me acontecem coisas estranhas, às vezes concordo.

Desde que vim para o Porto, muitas coisas mudaram na minha vida e dentro de mim. O que muda dentro de nós raramente é visível aos olhos que quem nos vê, mas há olhos e olhos e há pessoas e pessoas... 
Estes encontros casuais com estas pessoas, a forma como me fazem sentir bem tratada, acho que se deve apenas a um a razão, ao facto de olharem para mim com outros olhos, olhos de gente boa e conseguirem descobrir nos meus o mesmo sorriso.

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Não gosto de todos os Dias. Gosto do Dia do Burro.

A imagem do meio é a minha homenagem.

25 de Abril

25 abril 2015






































Cada um é livre de ver o que quiser. 

Eu vejo cravos.
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Ilustração do Bruno Reis Santos disponível na loja da Mariamélia.