10 dezembro 2014

Mariamélia






















Domingo passado estivemos nas Feiras Francas, no Mercado Ferreira Borges. A Mariamélia teve pela primeira vez algum do "feed-back" esperado, o possível entre os poucos que por ali passaram, com real interesse nos produtos que se encontravam à venda e nos seus criadores. Habituada que estou a frequentar feiras como visitante e cliente, estranhei desta vez estar do lado de lá. Custou-me assistir a um público tão desinteressante como desinteressado e completamente distante. A falta de vontade em contactar pessoalmente com as pessoas e conhecer o seu trabalho é assustadora e demonstra bem a falta de "espírito" com que a maioria das pessoas vão a estas feiras. Apesar de não ser muito faladora e nem sempre muito disposta a dar a cara, gosto de sentir que do outro lado há algum interesse e que por vezes basta um sorriso para que se quebre a timidez e o outro se aproxime com perguntas e queira tocar nas peças, sentir o nosso trabalho e que a ligação se dê. É o que me acontece a mim e penso que à maioria também! Talvez por isso tenha estranhado tanto a frigidez destes visitantes, que passam quase sem olhar e vão tão absortos como se passeassem num corredor de um Centro Comercial qualquer. Esperava que quem tivesse passado por lá, salvo raras excepções que demonstraram curiosidade e apreciaram os trabalhos, tivesse ído por uma razão muito simples, a busca de uma alternativa a um comércio de grandes superfícies, com uma oferta diferente e com uma razão de ser toda ela diferente. Não é suposto as feiras oferecerem o mesmo tipo de ambiente, produtos, ou seja o que for equivalente a outro tipo de comércio, pois senão não fariam qualquer sentido, o que se procura é criar uma alternativa a um mercado mais industrializado, uniformizado e centrado no consumismo.
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Estivemos debaixo de um sol abrasador, apesar de termos ído equipadas para um frio glaciar, num sítio lindo como é o Mercado, numa feira em que supostamente as pessoas iriam comprar alguns dos presentes de Natal, mas nem isso me fez sentir mais próxima da época festiva que se aproxima. 
Sem sequer ainda ter sentido que estamos em Dezembro e sem um pinheiro em casa para me lembrar que está a chegar o dia e que não vale a pena tentar escapar-lhe, esta semana vai ser de preparativos.
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Por estes dias, doze, vamos estar na CRU. A Mariamélia vai estar presente e vai levar também algumas Pegas da Mi Mitrika. Se nos quiserem conhecer pessoalmente ou ver as nossas peças ao vivo, tocar-lhes ou saber um bocadinho mais sobre cada uma delas, estaremos por lá e teremos todo o gosto em vos receber, nós, os outros doze criadores e o pessoal da CRU, que deixa toda a gente com vontade de lá voltar. Passem por lá, tendo em conta que é um espaço alternativo, como se espera que seja quem o procura!
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Obrigada M pelas fotos e pelo esforço em manteres o "estilo". : )

28 novembro 2014

Analogias





























Remexer num passado analógico que vai aprendendo a conviver com este tempo presente. 
Camélias de hoje e camélias de há vinte anos atrás. As mesmas flores, em datas tão distantes como agora as pessoas. Cada vez mais atenta a estes acasos, há quem me diga que não o são, não sei, mas são recorrentes na minha história.
As datas importantes registam-se em bordados, uma forma de escrita que perpetua ainda mais um momento especial. Quando o 17 era um número carregado de significado.
Aos poucos conseguir que o espaço em que se habita se torne também o espaço em que se tem vontade de trabalhar.

22 novembro 2014

Mudar da noite para o dia


































Começar a ver casas recuperadas em que se recorre novamente à telha de lousa para revestimento exterior de paredes, é um bom sinal.
Mudar constantemente de casa é não ter casa nenhuma. 
Voltar a poder estender um trabalho no chão, para o ver na totalidade é conseguir dar-lhe continuidade.
Tomar consciência do quanto as mais pequenas coisas nos condicionam a vida, é quase assustador, lidar com esta certeza também. 
Quando rotina era sinónimo de estabilidade, pede-se à rotina que regresse rapidamente, depois de instalada nós cá estaremos para tratar de a desestabilizar.
Estamos a viver desligados de electricidade. A partir das 17:30h cai a noite, deixamos de ter luz natural e é como se também nos desligassem. Resta-nos acordar mais cedo para prolongar o tempo útil, esperar por Segunda Feira e pelos senhores da EDP que nos hão de iluminar os dias e as noites, que isto de viver às escuras muda-se tão rapidamente como da noite para o dia.
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Uma casa em todos os sentidos. Uma das muitas que ela faz e eu gosto muito.