20 Outubro 2014

Muito mais do que ±


Acredito no poder das palavras, acredito ainda mais no poder das atitudes... 
Mas acredito muito nas palavras, por isso gosto tanto delas. Gráfica, sonoramente, pelo que me transmitem, pelo sentido que lhes atribuo, pela importância que têm e pelo que se pode fazer com elas... 
Nunca fui e continuo a não ser pessoa de muitas palavras, mas faço por ser uma pessoa de palavra: talvez pelo respeito que lhes tenho e admiração por quem as sabe usar com sabedoria e arte, talvez me contenha e me fique pelo estrito e necessário e às vezes nem isso!
As palavras são poderosas, desde as perigosas às amorosas. As palavras mais importantes devem ser ditas sem medo, repetirem-se vezes sem conta. Podem ler-se, ouvir-se em todo o lado, nas músicas e nas paredes. Há quem faça das palavras música e de algumas paredes páginas.
Não tenho a certeza (porque ainda não sei tudo) se é possível apaixonarmo-nos, desapaixonarmo-nos e mais tarde voltarmos a apaixonar-nos e que o objecto do nosso amor seja o mesmo em todas essas fases. 
Neste momento estou em fase de enamoramento. Todos os dias sou surpreendida, vivo momentos de prazer, conheço novas facetas deste actual amor que a todos os instantes me revela o quanto quer e consegue fazer sentir feliz. 
Não tenho uma casa que adoro, nem de longe nem de perto, espero um dia voltar a ter uma como já tive, onde sinta e saiba que conseguirei criar raízes, eu e os meus. 
Neste momento não tenho um casa, tenho muitas. Tenho uma cidade inteira que adoro.

16 Outubro 2014

Banco de Materiais

























Começam a ser raras as fachadas dos edifícios que conseguem escapar a esta clara delapidação de património, por parte dum vandalismo desenfreado. Há paredes que da noite para o dia acordam desfalcadas e algumas, quase totalmente despidas. 
O despertar de alguma população (até há pouco alheada) para a riqueza deste património tão português e o notório interesse dos turistas, vem criando uma espécie de mercado paralelo que não pára de crescer, não medindo os meios para atingir os fins. 
É realmente de um fim que se trata, substituir azulejos antigos por réplicas (por muita qualidade que estes tenham) não é a mesma coisa e os originais estão mesmo a desaparecer. Para quem os procura, muitas vezes sem sequer questionar a sua origem, por ignorância (seria mais aceitável de atribuir esta razão) ou simplesmente por falta de respeito por um bem material público, talvez fosse justificável aplicar sanções, pois enquanto houver procura haverá sempre quem furte.
É uma paixão antiga, cultivada desde há muito e que começou com os primeiros azulejos que recebi duma tia coleccionadora. Para estudar um pouco mais alguns padrões específicos, visitei (finalmente) o Palacete dos Viscondes de Balsemão, onde se situa o Banco de Materiais. Aí são recolhidos e salvaguardados alguns dos materiais que de outra forma corriam o risco de perder-se em demolições ou derrocadas, podendo mais tarde ser gratuitamente disponibilizados aos munícipes que tenham necessidade de preencher algum espaço nas habitações próprias, desde que aí encontrem a mesma tipologia. 
Também se encontram telhas decorativas, placas toponímicas, escantilhões metálicos para decorar louça (como a de Massarelos), alguns artefactos de madeira, ferro e cantaria.
A maior parte da colecção exposta é mesmo de estuques, na sua maioria, produzidos aqui no Porto pela Oficina Ramos Meira, uma das mais importante e prestigiada da época, séc. XIX, XX.
Depois da visita, que apesar de tudo valeu a pena, fiquei com aquele gosto amargo de que ainda há tanto por fazer e sinceramente penso que seria tão mais inteligente apostar na prevenção. Muitas vezes acontece a quem pensa e concretiza estes projectos (que têm todo o mérito), dar-lhes uma certa continuidade. Não encontrei nenhuma dinâmica que traduzisse um real interesse em proteger o que ainda existe... ainda. 
Para tomar conta do que já anda à solta, um Banco poderá ser a solução... mas, e para guardar o que ainda resta? Não seria essa uma das funções destes projectos, o trabalho de encontrar soluções para este problema? 
Como cidadãos cabe-nos a responsabilidade de contribuir com o que pudermos e soubermos. A Rosa fez há umas semanas este cartaz, muitos o partilharam e bem. Há que ter consciência de que muita gente ainda não está alertada para esta situação que nos diz respeito a todos e tomar atitudes, por simples que sejam, é muito mais eficaz que soltar uns suspiros, cada vez que passamos por uma parede esburacada ou fazer uns comentários, lamentando o estado actual das coisas. 
Ainda acredito e todos os dias acredito ainda mais (tirando aqueles em que não acredito em nada!), que é possível mudar, mudar para melhor e que as mudanças se fazem pelas pequenas atitudes individuais.
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É possível comprar azulejos tendo a certeza da sua proveniência: 


Há sítos que importa conhecer e divulgar: 
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Participar colaborando é muito fácil: 
oito impressões a cores afixadas em locais estratégicos e distribuídas em lugares públicos, pelo preço dum cimbalino. Não custa nada!

14 Outubro 2014

Coisas do dia-a-dia no Outono



Nunca me consegui situar por inteiro num ambiente só, urbano ou rural, nunca me senti totalmente bem na ausência prolongada um do outro. Passei a infância dividida entre os dois e o que ganhei com essa vivência fez da mim grande parte do que sou hoje e muito provavelmente o que serei no futuro. 
Depois de tanto tempo na província (16 anos), também perto do rio e do mar, mas longe de tudo o resto que não se limite a paisagem... voltar a viver na cidade (a minha) foi a melhor decisão que tomei nos últimos tempos e se, por um lado, o que levou a esta mudança de vida, não tenha sido completamente pacífico, as vantagens têm sido tantas, que ainda não dei por mim a suspirar pela vida que deixei.
Passou um mês? Nem sei, mas não voltei lá. 
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Há uns anos descobri esta imagem, neste livro, na altura "classifiquei-a" de Árvore Crochet. Este Domingo, num passeio daqueles em que se conversa de tudo e de nada e se anda mais a pé do que durante uma semana inteira, mas se recupera toda (ou quase, porque basta subir a pé os três andares para chegar a casa e esta esvai-se) a energia para aguentar até o Domingo próximo, encontrei a Árvore objecto de estudo e admiração. passando despercebida pela maioria que passa, descoberta a seguir pela curiosidade de saber o que leva alguém a ficar tanto tempo parado, de cabeça no ar a olhar para uns troncos.
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O Outono traz muito de bonito, mas também muita da tristeza e melancolia que nos deita por terra que nem folhas. É assim que temos andado, mais calados, contemplativos, fartos de chuva e cheios de inveja do raio do gato, que passa o dia no ninho que fez ao lado da janela. Alternando entre sol e sombra, sim, ele pode dar-se a esses luxos de procurar na casa, os locais com a temperatura adequada a cada hora do dia. Gatos e humanos dão-se bem, desde que façamos tudo o que eles querem e o deixemos fazer o que lhe apetece. Com o nosso temos uma relação perfeita, ele manda e nós adoramos, às vezes.
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Da infância e dos livros, o mais lido e relido. Sempre as árvores, cada uma mais especial que a outra. 
Da idade adulta e das árvores, uma transfusão de sangue tipo Acer, Categoria Sapindaceae, que me fez resnascer.