Eu parto com o ar

25 setembro 2016






Eu parto com o ar
Sacudo minha neve branca ao sol que foge,
desfaço minha carne em redemoinhos de poeira,
entrego-me à terra para crescer nas ervas que amo.
Se queres ver-me novamente, procura-me sob teus sapatos;
Dificilmente saberás quem sou ou o que significo.
Mas se não conseguires me encontrar, não desanimes;

O que não está numa parte está noutra
Nalgum lugar estarei à tua espera.

 Leaves of grass 
de Walt Whitman

Preto no branco

Nada melhor que uma cama feita de roupa lavada para receber um gato encardido, seja ou não Domingo.

Bonecos

22 setembro 2016

Os últimos preparativos não incluem acrescentar qualquer peça de roupa além da interior.

Mais bonecos disponíveis em breve.

Hortelã

19 setembro 2016




Sem estações do ano a ditar as regras para as sementeiras, os pimenteiros crescem lentamente a caminho do Outono, as meloas floriram fora da época, as beldroegas estão com semente, a hortelã laranja vai sendo devorada pelas lagartas e os agriões germinaram, mas estão a crescer em magotes impossíveis de mondar.

Acelga, hortelã, tomate cereja, agrião, espinafre e semente de salsa, tudo em dose caseira.

Cultivar simplesmente, sem ambições de maior, apenas para manter vivo o que me corre nas veias.

Enquanto puder, fico grata, são previlégios maiores, viver fazendo o que se gosta e ter como trabalho o que sempre se fez por amor.

Quem semeia também colhe.

Há dias melhores que outros

18 setembro 2016

 Picnic da família em 1925, imagino que fosse Domingo.

Nunca gostei de Domingos, salvá-los seria poder passá-los assim, todos, entre família e amigos.

Herbarium

15 setembro 2016


Há folhas do herbarium que ficam por enquanto incompletas. 
Desta árvore trouxe um pouco de tudo menos o nome.

Brincar com coisas sérias

12 setembro 2016



O que pode haver de novidade quando o que se faz não é novo, é mesmo o voltar a fazê-lo. 
Sabia que lhes sentia a falta, tinha saudades do gozo que se pode tirar deste trabalho pensado para alguém brincar.

Fazer bonecos pode ser uma desculpa para continuar a brincar e não há melhor caminho para se conseguir levar a vida a sério.

Colheita

09 setembro 2016

























Temos um tomateiro que um dia sonhou chegar ao céu.

Por enquanto colhemos uma dezena de tomates mas ficaram muitos ainda por amadurecer. Vi-me forçada a podar grande parte da rama, fbazia demasiada somra e o sol já não chegava ao frutos, assim como estava a tirar grande parte da força à planta.

O tomateiro sonhava chegar ao céu, eu fi-lo manter-se firme na terra, atei-o a estacas para que se segurasse, também eu quero cumprir o sonho de comer o que cultivo na horta.

Paus de dois bicos

06 setembro 2016


Estou cada vez mais contra o tornar pública a localização geográfica detalhada de azulejos. 
Façam-se mapas e registem-se os azulejos existentes a nível nacional, mas para tornar possível o acesso a quem tem um real e honesto interesse pelo património, não para facilitar ainda mais o seu furto.

É raro o dia que não apanhe do chão um pedaço partido, para trás fica um espaço vazio em mais uma parede.

É notória a eficácia da Câmara do Porto em manter as ruas (na minha é quase que quinzenalmente) livres de tags e graffitis (que não os que já foram sujeitos a um reconhecimento como obra pública), pena que não incluam nessa manutenção, a vigilância e consequente aviso das entidades próprias, dos azulejos em perigo de cair e dos espaços onde já se verificam falhas, fixar os que estão em risco  de  se soltar e preencher os espaços vazios com massa evitaria que mais fossem arrancados.



De ontem para hoje e depois de ter escrito no facebook, houve mais um que desapareceu duma fachada aqui perto. Sim, reparo nisso. Passo todos os dias pelos mesmos sítios, não tenho como não decorar  as falhas e dar seguimento ao processo de degradação das fachadas. 

Não é a mesma coisa, recuperar uma fachada colocando-lhe réplicas dos antigos, em muitos casos os dois aos mesmo tempo. 
O desejável é mesmo prevenir a sua destruição (são imensas as fachadas destruídas para depois serem colocadas cópias) e evitar os roubos, tornar pública a localicação com imagem e endereços de onde se podem encontrar não me parece uma boa medida para evitar que o flagelo aumente, pelo contrário faz  todo um trabalho de pesquisa para que os procura com intenções menos sérias.

É cada vez mais urgente que se tomem medidas. Continua a ser permitida a venda de azulejos, que todos sabemos donde vêm, inclusive quem os próprios vendedores, é frequente encontrarem-me em lojas de antiguidades e lojas vintage tão na moda, é um ciclo em que a procura de quem compra incentiva quem os rouba e beneficia quem os vende. 

Há que ganhar consciência cívica, falar sobre o assunto alerta os mais distraídos e talvez se todos nos recusarmos a comprar azulejos dos quais não nos comprovem a sua origem, deixe de haver por parte de quem os rouba interesse em fazê-lo, pois não haverá quem os compre.
...

Este dia, como têm sido muitos ao longo dos anos, foi dia de azulejos e será uma dia para recordar.
Obrigada Winkie Moon pela fotografia e não só.

As linhas com que me coso

02 setembro 2016

As linhas com que me coso são tantas como os trabalhos que tenho em mãos. Assim como as mesas que podem ser várias ao mesmo tempo e neste momento são três.

Há trabalhos que exigem espaço, mais espaço do que outros. Por isso para alguns basta uma secretária e para outros é necesário recorrer à mesa da cozinha. E é neste ambiente que se trabalha, com os tecidos espalhados, às vezes durante vários dias, até depois de tanto olhar para eles e em diferentes ocasiões, se consegue finalmente tomar uma decisão, na escolha das cores, do padrão a seguir... e se avança mais um pouco até parar novamente.

Só sei trabalhar assim, mesmo que antecipadamente desenhe o que vou fazer, acontece ter de mudar à medida que avanço e muitas vezes desmanchar para fazer diferente.

Começada há vários anos com a ajuda da M, a pensar numa manta construída em conjunto, acabou por ficar parada até agora.
Será para ser feita aos poucos, sem pressas para não atropelar as prioridades.