19 Setembro 2014

Dentelles Ténériffe




Uma antiga publicação da "Bibliothèque D. M. C., conceituada marca de linhas de algodão, linho e seda.
Esta técnica conhecida há muito tempo na América, é uma imitação do trabalho com agulhas que já anteriormente se fazia em Espanha, denominada nos séc. XVI e XVII, de "Sóis".

17 Setembro 2014

Tempos invisíveis


Nestes dias cinzentos de nevoeiro, sinto que a natureza está do meu lado, mas nem sempre estar do meu lado é ser bom para comigo. Se está na minha natureza ser sombria e taciturna, estes dias trazem-me uma dose suplementar de melancolia, que torna difícil a convivência comigo própria. Mais introspectiva do que nunca chego a sentir que fico invisível, tal e qual a paisagem. Depois o silêncio destes dias... abafa alguns dos sons, ao mesmo tempo que tudo clarifica, contrariamente ao que temos em redor desaparecido em instantes. Chego a pensar que passado o nevoeiro tudo estará diferente, um outro lugar, não sei bem como, mas um outro, não este que conheço e agora se tornou invisível. 
Quando fui embora este tempo ficou para trás, troquei-o por dias de sol que rapidamente alternam com chuveiros rápidos, o meu filho diz que o Porto tem um clima tropical e esquizofrénico. Talvez seja essa passagem rápida, esta inconstância entre o cinzento (que me agrada) e o azul (que me faz bem)  que tornam a cidade tão acolhedora, apesar do seu carácter difícil de caracterizar.
Acordar de madrugada, levar logo com o sol na cara, depois de durante a noite os relâmpagos nos forçarem a abrir os olhos, para confirmar se alguém tinha acendido a luz do quarto, é a melhor das mudanças que o dia nos pode oferecer. 
Viver ao nível dos telhados é controlar mais do que nunca o movimento das nuvens. É conhecê-las pelo nome, abrir as portadas e convidá-las a entrar.

11 Setembro 2014

O que me inspira


A inspiração pode chegar pelo toque nos fios e o que nos sugerem, pelas cores, pelo material que temos disponível, pelos conhecimentos que temos ou pelos que não temos...
Ainda não me cansei de fazer mantas e apesar de manter uma linguagem muito próxima de modelo para modelo, gosto de variar nalguns detalhes. Em crochet já fiz várias com rosetas quadradas, desta vez quis experimentar duas coisas, uma lã nova para mim e um outro modelo de roseta, hexagonal. A lã é da Rosa Pomar e depois de já ter encomendado à Retrosaria algumas meadas, que chegaram pelo correio, não resisti a umas cores que encontrei casualmente na Vida Portuguesa. Os hexágonos são uma mistura ente as rosetas quadradas e este modelo que já tinha mostrado aqui. 
Há alguns exemplos de mantas com rosetas que demonstram bem como na maior parte das vezes os trabalhos mais bonitos, são os que conseguem uma boa ligação entre os materiais e as conjugação de cores. As mantas da Rita Cordeiro e da Alessandra Taccia são das que mais gosto.
A manta de riscas está quase no fim, falta apenas o remate a toda a volta. Aqui a base que serviu de inspiração foi o reaproveitamento dos restos de lã que guardo de outros trabalhos. O resultado final não deixa de ser semelhante aos tapetes de trapos (em que se aproveitam restos de malha de algodão) que tanto gosto de usar.

06 Setembro 2014

Habemus casa?


Habemus mesa, foi o que nos saíu, a mim e ao meu filho, quando finalmente terminamos de a montar.
Não é e todos temos a certeza que nunca irá ser a "nossa" casa, mas nos próximos tempos será a casa onde vamos começar uma nova vida. Está num sítio que gostamos e vale o preço que podemos pagar. Esta semana dormimos lá a primeira noite, foi bom acordar com o sol a entrar pela casa adentro e o barulho das gaivotas fez-nos sentir que ainda estávamos em Esposende. Falta-nos estrear a cozinha. Pelo correio já chegou a primeira correspondência, uma carta da EDP.
Tivemos de comprar estantes mais pequenas para os livros, um fogão de duas bocas para substituir o de quatro, um sofá de dois lugares em vez de três e a maior parte das coisas continuarão arrumadas dentro das caixas, onde nos pouparão espaço para nós. Os amigos ajudaram a escolher móveis e a montar, ainda não houve tempo, nem espaço, para inaugurações, primeiro temos de fazer desaparecer o que nos impede de entrar de lado, tropeçar num saco, roçar na parede e acender, sem querer, a luz e conseguir abrir uma porta sem ter de fechar outra. 
Quando tudo estiver mais ou menos organizado, aí sim, vamos cozinhar e fazer um brinde com os amigos. Não com todos ao mesmo tempo, porque não caberiam e com as demonstrações de amizade que temos recebido, é garantido, haverá festa por muito tempo.