26 Julho 2014

Uma pegada ecológica






























Se o verde fosse mesmo esperança, então esse seria o meu nome de baptismo. Não consigo e também nunca tentei, viver sem o verde das plantas e não é só tê-las, é cuidá-las e fazê-las multiplicarem-se. Esse é o maior desafio, observar o que a natureza é capaz faz-nos tomar consciência da nossa insignificância e ter essa consciência é uma boa ferramenta para darmos valor ao que realmente é importante, para nós e neste mundo cada vez menos verde. 
.É uma tarefa difícil para quem realmente se empenha em defender o nosso ecossistema, mas se todos colaborarmos com um "passinho" de cada vez, essa "caminhada" tornar-se-á mais eficaz.
.É uma tarefa fácil de realizar individualmente, esta de aumentar a cor verde no mapa, basta cada um fazer a sua parte e não tem de ser grande, mas à medida de cada um. 
As abóboras crescem a olhos vistos e já estão em flor, espero que também elas se adaptem à mudança e quem sabe daqui a uns meses crescerão abóboras numa varanda da baixa.

15 Julho 2014

Um vaso de mim


Um pé cá outro lá e a cabeças em todo o lado sem pousar em sítio nenhum. Alguém me plante num vaso, me ponha ao sol numa varanda e me deixe ganhar raízes, é só o que eu quero.

10 Julho 2014

Cara a cara


Cada vez me vejo com menos paciência para lidar com determinados assuntos, dizem que é da idade, talvez tenham razão. Mas não faço questão que o tempo que passa por mim seja em vão, por isso vou-me adaptando e aprendendo a viver com as mudanças, umas boas, outras nem por isso, que o tempo me tem trazido. 
Não me assusta em demasia envelhecer, desde que possa continuar a fazer o que me dá mais prazer...
Se em adolescente nunca desejei ser mais velha, em adulta nunca me ouvi suspirar por quando era nova. Não tento disfarçar a idade, pelo menos para já. Aos 43 anos, posso dizer que nunca pintei o cabelo e não sei se algum dia o irei pintar, apesar de já ter muitas brancas há muito tempo. Não uso bases ou cremes, embora as olheiras  me persigam desde criança, não consigo ter disciplina suficiente para me obrigar a camuflar-me ou simplesmente hidratar-me com o que quer que seja. Uso o mesmo baton vermelho dos 20 anos e não é rotina. Sinto a pressão?, claro que sinto, e não só daquela que nos chega de fora, da tv, da publicidade, da sociedade em geral, mas dos que me são próximos, ouço muitas vezes, não achas que já está na hora de disfarçares as brancas... podias arranjar-te um bocadinho mais... Se adianta? Não. Mas incomoda. 
Ao contrário, quanto mais ouço dizerem que podia ter mais cuidado comigo, mais me apetece relaxar (não é desleixar) e cada vez mais me convenço que é assim que me sinto bem, quando sou eu própria e não o que esperam que eu seja, senão o que seria eu, um catálogo que funcionaria segundo a opinião de cada um? Estes assuntos são tão importantes consoante a importância que se lhes dá e se estou a falar disto hoje é porque nestes últimos anos muita coisa mudou na minha vida, devido à maturidade ou falta dela, às diferentes maneiras de encarar a vida e as alterações que a idade nos traz. De repente vi-me confrontada com questões para as quais não estava sequer alertada e pensava que quem estava comigo, estava preparado para envelhecer ao mesmo tempo.
É um lugar comum, dizer-se que estamos melhor connosco agora do que há uns anos, mas não é comum a todos. Gosto mais de mim agora, por fora e por dentro, outro lugar comum, mas é verdade que sou mais feliz agora porque me aceito melhor. Claro que tenho dias... mas antes, ao contrário de agora, todos os dias eram assim.
Entretanto posso mudar de ideias e deixar de ser tão radical em determinados assuntos, como agora sou, mas se isso acontecer é porque cresci, noutro sentido, mas terei crescido e envelhecido.

02 Julho 2014

Desmistificar o Bolo do dia


Desde que criamos o Avesso e durante os dois anos que lá estive, fiz este bolo 600 vezes, mais coisa menos coisa. Posso considerar que tenho experiência suficiente para opinar. Este bolo, conhecido por mais de meio Portugal, chegou pela primeira vez a nossa casa pelas mãos da Madalena, uma rapariga que nos anos 80 trabalhava em casa dos meus avós. Era o único bolo que sabia fazer, mas fazia-o tão bem que essa falha foi-lhe naturalmente desculpada. A Madalena não trouxe apenas a receita deste bolo, com ela ouvi falar pela primeira vez de fãs, ídolos e Marco Paulo. Fã incondicional, tornou-se normal, eu e o meu irmão chegarmos do Colégio para lanchar e o rádio estar ligado na estação do costume, com as canções do ídolo, que acompanhava a viva voz do princípio ao fim.
Quando a Madalena, por devaneios amorosos, deixou repentinamente a casa dos meu avós, para casar, já eu sabia a receita de cor e salteado de tantas vezes a ver fazer. Com os anos fui-lhe acrescentando outros ingredientes consoante as conveniências ou o que tinha à mão e assim foram nascendo variações da mesma receita básica do básico Bolo de Iogurte. No Verão já o comemos cortado ao meio e recheado com iogurte e morangos frescos, no Inverno é costume espalharmos pela massa maçã cortada em gomos finos, e pedaços de nozes. Também liga bem com amêndoas ou mirtilos. Mel, canela e uvas passas, acompanhado com um cálice de Vinho do Porto. Separando a massa em duas partes iguais e adicionando a uma delas chocolate em pó q.b., deitando as massas alternadamente numa forma, temos a variante do também tradicional Bolo Mármore.
Como na maioria das receitas que se conhecem não há segredos. Quando uma receita é transmitida por várias gerações, percebe-se que o único ingrediente secreto comum a todas elas é mesmo o amor.
É o único bolo que sai sempre bem, quem já o provou confirma, quem não provou que o faça, a receita há muito que está aqui.
...
O Avesso criou novos amores e está de volta. Mudou de mãos, mas acho que o amor continua lá.