27 Agosto 2014

Fugitivo, só de fugida


Há uns dias que estamos fora da nossa casa, que por agora está alugada. Foi uma mudança de ambiente e de rotinas, para nós as duas e para o gato, que se vê confinado (para evitar encontros agressivos com a cadela da casa) a um quarto e a um pátio. De todas as mudanças, a única positiva para ele, foi ter conseguido travar amizade com os dois gatos do lado, o Gastão um jovem adulto como ele e a Simone, adoptada há pouco tempo e que ainda procura o corpo da mãe no do Gastão, que ao deixá-la fazer de conta que mama, mostra ser um macho cheio de capacidades paternais.
Quem tem gatos e conhece bem os cães (é o meu caso que já tive um serra da Estrela, traçado com Castro Laboreiro) sabe bem o quão diferentes são os seus comportamentos e o modo como encararam a vida, a deles e a nossa.
Quando encontramos o Manu na rua e o decidimos acolher, sabíamos que seria mais um membro na família, com tudo de bom e mau que isso traria. Foi uma adopção mais do que consciente e responsável.
Já várias vezes, entre nós, questionamos como seria a nossa vida sem ele e é comum o sentimento de que a perda dele seria o equivalente à perda dum parente muito querido.
Ontem vimo-nos de repente confrontados com essa perda, ou com a hipótese dessa perda ser efectiva. Depois de passarmos toda a tarde a pensar que ele estaria na casa da vizinha, já que agora o que o faz acordar-nos às 6h da manhã, são as tentativas dele abrir a porta para ir ter com os outros gatos, já era noite quando percebemos que afinal não estava lá. Não estava lá nem em lado nenhum.
Percorremos todo o quarteirão, debaixo de chuva miudinha e com um aperto no peito. Deitamo-nos com o despertador marcado para as 6h e com a esperança que a madrugada trouxesse boas notícias. 
As duas, em cima dum escadote, com os olhos postos no quintal da vizinha, depois de já ter andado pela ruas, ainda em silêncio e desertas, ficamos aliviadas quando depois dos primeiros chamamentos o ouvimos a miar. Percebemos que seríamos capazes de distinguir o miado dele no meio dum milhão de gatos. : )
Ainda em camisa de noite a vizinha abriu-nos a porta e foi o reencontro cinéfilo que se pode imaginar.
Depois de o ver esvaziar a malga da comida e da água, apesar de já ter bebido a da chuva num vaso do pátio, dormimos enroscados o sono dos justos, o nosso e o dele. 
...
Ontem cheguei a questionar-me que se algo de mal acontecesse com ele (e foram várias as hipóteses que me apareceram em pesadelos), talvez decidisse não ter mais nenhum animal. E não digo de estimação intencionalmente. Não lido bem com a perda e ultimamente tenho sofrido algumas, mas se não é fácil perder um amor na vida, acredito que será bem pior vivê-la sem amor.
Relações amorosas como estas que criamos com os nossos animais, podem parecer ridículas só aos olhos de quem  nunca as viveu. Realmente este post só fará sentido a quem sabe o que é lidar com a personalidade única de cada animal, aguentar as suas manias, aprender a traduzir a sua linguagem, rir com as palermices, refilar com os mais que muitos disparates, sofrer com as suas dores, sorrir quando o apanhamos em flagrante, sentirmo-nos acarinhados quando se aninha em nós para dormir, desprezados quando nos ignora e tudo o que cada um faz e que só nós conhecemos, porque são todos diferentes, apesar de serem todos iguais.
...
Foi muito bom ver a Maria sorrir aliviada ao perceber que tudo estava bem e que a promessa que lhe tinha feito na véspera, que faria tudo por tudo para o encontrar, se tinha realizado.
Foi ainda melhor, ouvir a minha filha dizer, É mesmo verdade que às vezes não damos conta da felicidade e ela está mesmo ao nosso lado.

26 Agosto 2014

De fugida


























Passo por aqui só para desanuviar. 
Os últimos dias não têm sido fáceis, mas vão passando uns atrás dos outros sem trazer nada de novo.
Passo por aqui só para desanuviar.
A noite de hoje promete ser longa e em branco. 
Se tudo correr bem e amanhã o dia trouxer novidades, explico o título.
Hoje é mesmo só para desanuviar.

18 Agosto 2014

Pleno mês de Agosto









Já me tinha esquecido do quanto o Porto conseguia ser quente em Agosto. No Miradouro da Vitória a luz branca tornava difícil percorrer a paisagem de telhados e só apetecia uma sombra que não havia.
Passar mais um dia em Braga. Voltar para casa com duas plantas novas, as mais baratas de todas, o que as tornava ainda mais bonitas, compradas numa florista de rua.
Voltar aos padrões tendo uma vaga ideia onde os irei aplicar, por enquanto as folhas do caderno vão-se enchendo de outras folhas.