24 janeiro 2015

Já fui uma casa





Continua a aventura de tornar esta casa na "nossa casa" e não apenas um habitáculo que nos abriga, uns dias mais do que outros, mas nos acolhe e dá o que pode.

Temos vindo a conhecer-nos, descobrimos-lhe uma personalidade vincada, mas damos atenção aos detalhes, valorizamos as diferenças, atenuamos os defeitos e vamo-nos habituando.

A M, é a que mais tem estranhado, sem memórias doutra casa que não a anterior, sente falta do sol que lhe invadia o quarto e de mais espaço por onde se esticar. 

Bem gostaria que recordasse, tal como eu ( tanto, que às vezes parece-me que ainda a sinto), os nove meses que viveu em mim, no espaço mais exíguo de todos, escuro, barulhento e húmido, apertado demais para quem gosta tanto de espaço, mas onde a sabia protegida e confortável, apesar de tudo.
Mas como uma casa assim perfeita, jamais lhe poderei voltar a oferecer, espero pelo dia em que se sinta bem nesta ou noutra que venhamos a ter. 
E que os dezasseis anos que está prestes a festejar lhe ensinem que a melhor casa de todas será sempre a que traz com ela, o seu corpo.

Por agora tudo nos parece ainda temporário. Nada que o passar do tempo não consiga amenizar e apesar do Inverno trazer com ele esta típica melancolia, há-de vir a Primavera e com ela o sol, capaz de tudo dissipar.   

E está-se tão melhor aqui...

18 janeiro 2015

Uma casa dos outros




 


Há casas e casas. Casas que nos fazem sonhar, umas mais do que outras. E há as que sabemos inatingíveis e por isso nos levam a sonhar ainda mais. Desta já conhecia a fachada, passar por ela todos os dias já me tinha levado a imaginar como seria por dentro. Sabemos mais ou menos as características que marcam as construções de cada  época, a riqueza dos materiais, a delicadeza dos detalhes, a qualidade da construção, a segurança e conforto que transmitem... Depois há as surpresas, porque já vi algumas, uma mais imponentes, outras mais modestas, mas em todas encontramos motivos para nos surpreendermos e ficarmos ainda mais encantados. Falo no plural porque sei que nos acontece a todos, tenhamos mais ou menos sensibilidade, mais ou menos interesse por este assunto: Casas. Não há quem consiga ficar indiferente. 
Entrei por acaso, tinha tempo e as portas estavam entreabertas, por baixo funciona Comércio, o que torna o acesso ao átrio, público e disponível para fotografar. Mais disponível ainda quando um dos proprietários me convida a entrar e se oferece para me acender as luzes, pois receia que não conseguirei registar os detalhes dos vitrais, me faz uma visita guiada pelos outros pisos e me conta a história do prédio mandado construir por um dos homens grandes da Sandeman.
Agora que conheço a escadaria, as portas e janelas com vitrais, os tectos estucados, agora que sei que sou bem vinda para fotografar o que muito mais existe por ali, sonho ainda mais, sonho com os interiores das habitações. 
Há casas e casas e por muitas que se conheçam, há sempre motivos para sonhar com elas. Não tenho uma casa de sonho, tenho muitas.

...

Cada vez mais vão surgindo pessoas e empresas especializadas em tomar conta do nosso património imobiliário.
Caso conheçam algum projecto em particular e o queiram divulgar, basta deixarem um comentário. Ainda há muito para fazer e divulgar o trabalho de quem está empenhado nesta área é contribuir para o sucesso desse trabalho e quando se trata de qualificar, recuperar e tornar acessível um património que nos pertence, todos saímos a ganhar. 

. Sobre as casas do Porto, há muito para ver e conhecer aqui e recuperar aqui.

. Pessoas e empresas que constroem e recuperam património, como este.

. Atelier In Vitro.

13 janeiro 2015

Mês de Janeiro rima com primeiro

































Experimentar novas lãs na paleta de cores do costume.

Voltar a colocar a gravura da Ana Ventura na parede, desta vez protegida por uma moldura.

Receber abóboras de presente, eu bem dizia que havia de ter abóboras na varanda do Porto, não foram as que eu fiz germinar, mas são as que o meu meu pai cultivou. 

A apresentação à vizinha do lado foi feita em forma de abóbora para a sopa, um hábito que ganhei durante o tempo que morei em Gaia e trocava frutas e legumes excedentes com os vizinhos. Aproveitar para dar a conhecer a existência do gato e avisá-la das suas prováveis e inevitáveis incursões, já que não achando a nossa varanda suficientemente espaçosa,  faz da dela uma extensão da nossa, elegendo o canto mais distante e inacessível aos nossos braços para se instalar a seguir vida alheia, sendo o quotidiano dos moradores de espécie humana e não só, diariamente descortinado. 

As últimas golas estão agora disponíveis na loja do Etsy, mas podem também encomendar-se através do mail. 

Receber uma bonita fotografia duma cliente, onde exibe uma das golas que comprou e se diz uma "cliente da Mi Mitrika satisfeita", foi uma das coisas boas que Janeiro me tem trazido.

Janeiro rima com primeiro e se os próximos onze meses forem tão bons como tem sido o primeiro, este ano promete.