Quanto mede um palmo de rio

22 agosto 2016

















Levantar os olhos, atingir o topo e sentirmo-nos na medida certa do nosso tamanho.

Voltar a sentir o cheiro quente da terra molhada.

Apenas as acácias guardaram nas folhas o que ficou dos poucos minutos que durou a chuva. 
Há dias em que o céu chora baixinho.

Pedras enormes, paredes de pedra.

Arbustos que parecem cabeleiras d'ouro ao sol.

Teias que criam tramas e armazenam sementes impedindo-as de seguirem caminho.

Um rio que assume formas tão diferentes ao longo do curso e uma vegetação tão variada que nos vemos nos primórdios da existência da Terra. 

Por duas vezes mergulhei num palmo de rio. 


Sou de pequenas coisas

19 agosto 2016




























Quando me sinto meia perdida é no meio da natureza que mais depressa me encontro.

...

Um post que começou aqui e ainda vai continuar.

A dois passos da Serra

17 agosto 2016

Uma pequena parte deste percurso ardeu uma semana depois de lá termos estado. Grande parte da Serra de Arouca foi destruída pelo fogo ao longo de vários dias.

Não é só de património florestal que se trata, de espécies que levaram anos a desenvolverem-se e em instantes desaparecem desbastadas pelas chamas, são os pastos dos animais que por esta altura não têm do que se alimentar.

Há muito a mudar e há muito que se espera por essas mudanças.
Depois dos muitos discursos inflamados, das acusações entre os vários organismos e a natural desculpabilização de todos, é urgente pensar o assunto floresta de forma sustentada, evitando continuar a cair nos mesmos erros que se prolongam há décadas.

Para quem se interessa por este assunto e queira participar nesta reforma florestal de modo consciente, em que cada um com um pequeno gesto pode contribuir para uma reflorestação planeada e sustentável, em regime particular e de voluntariado, ficam aqui algumas páginas que podem consultar e sugiro que partilhem toda a informação que considerarem útil.

Futuro - O Projecto das 100.000 Árvores

Wilder -  rewilding your days 

Barreira de Floresta Nativa 

Celebrar

31 julho 2016




Reunir os amigos de sempre com os amigos que se fizeram desde que nos mudamos para o Porto e celebrar a vida.

Ter a M na cozinha a preparar, o que já consideramos entre nós, as especialidades dela, Pão de banana e frutos sivestres, Quiche de vegetais e uma mistura de Humus e Guacamole.

Como para quem gosta de cozinhar, experimentar e descobrir faz parte da aventura, a maior parte das vezes não segue uma receita, para o Pão de banana (em que usou mirtilos em vez de framboesas) a receita veio deste blogue.

Há dias em que a festa se prolonga pela noite adentro, são dias maiores.

A una mujer

27 julho 2016




































No hay que llorar porque las plantas crecen en tu balcón, no hay
que estar triste si una vez más la rubia carrera de las nubes te reitera
lo inmóvil, ese permanecer en tanta fuga. Porque la nube estará ahí,
constante en su inconstancia cuando tú, cuando yo -pero por qué nombrar el polvo y la ceniza-.
Sí, nos equivocábamos creyendo que el paso por el día era lo efímero, el agua que resbala por las hojas hasta hundirse en la tierra.

Sólo dura la efímero, esa estúpida planta que ignora la tortuga, esa blanda tortuga que tantea en la eternidad con ojos huecos, y el sonido sin música, la palabra sin canto, la cópula sin grito de agonía, las torres del maíz, los ciegos montes.
Nosotros, maniatados a una conciencia que es el tiempo,no nos movemos del terror y la delicia, y sus verdugos delicadamente nos arrancan los párpados para dejarnos ver sin tregua cómo crecen las plantas del
balcón, cómo corren las nubes al futuro.

¿Qué quiere decir esto? Nada, una taza de té. No hay drama en el murmullo, y tú eres la silueta de papel que las tijeras van salvando de lo informe: oh vanidad de creer que se nace o se muere, cuando lo único real es el hueco que queda en el papel, el golem que nos sigue sollozando en sueños y en olvido.

Julio Cortázar 

... 

E assim, hoje, dando-me a ler um poema me quiseram oferecer um sorriso. E assim conseguiram.

Por estes dias

26 julho 2016









Ainda a aprender a conhecer a casa onde vivo desde há sete meses, não tem sido fácil a relação com esta estação do ano, assim como já tinha sido difícil com o Inverno.

Como uma casa típica do Porto e já centenária, as paredes de granito bastantes frias nos meses de Inverno tornam-se agradavelmente frescas no pico do Verão. 

Estando a casa dividida em três pisos, calhou-me o mais temperado no Inverno, mas o mais quente no Verão.
Na parte debaixo da casa, posteriormente transformada numa cave, depois de ter dido retirada toda a terra, a temperatura é tão baixa que se torna agradável nestes dias mais quentes. 
O piso intermédio é agora o mais ameno e apetece passar os dias na cozinha com as portas abertas para o quintal.
O piso de cima, principalmente onde trabalho, virado a nascente, é insuportavelmente quente, apanhando todo o sol que se esquivou durante o resto do ano.

Por estes dias não tem sido fácil aguentar estas temperaturas ao mesmo tempo que se trabalha com lãs, fazendas e burel, mas quando se gosta gosta-se e ter esta luz compensa tudo o resto, quero aproveitá-la toda, pois daqui a uns meses volta a penumbra.

Já há tempos escrevi um post sobre o termos a sorte de ser lembrados quando alguém se quer desfazer de algo que para si se tornou dispensável, mas que sabe que o bom estado da "coisa" ainda poderá tornar a vir a ser útil a alguém.

Foi uma surpresa receber pelo correio uma Máquina Noveladora antiga e já fora de uso. Apenas tive de comprar um pequeno acessório que faltava, facilmente encontrado numa loja aqui do Porto especializada em material de costura e que ainda tem stok peças antigas de máquinas que caíram em desuso. Ficou apta a trabalhar. 
Uma ferramenta antiga nova que se tem revelado uma preciosa ajuda. Tenho-a usado para fazer novelos dos fios que apenas tenho em cones grandes, pois assim consigo transportar o trabalho para todo o lado, tenho criado novos fios, misturando dois fios diferentes de forma a obter os mesclados que tanto gosto de usar, é muito mais fácil trabalhar o fio já novelado, do que trabalhar com dois em separado que estão constantemente a torcer-se um no outro e quando os fios são demasiado finos para o que preciso, novelo-os usando vários, conseguido assim trabalhar um fio grosso e apenas num só novelo.

Claro que se perde tempo a fazer os novelos e apetece fazer novelos de tudo, pois a forma como se conseguem organizar por cores e o manuseamento que permitem, dá-nos um entusiasmo difícil de controlar.

Um pequeno colaborador que além de ocupar pouco espaço é manual, o que facilita tudo.

Pelo meio da semana e durante um saída rápida em busca dum quiosque, que não foi assim tão rápida pois ainda me estou a familiarizar com a zona, descobri uma planta que apenas conhecia dos livros, uma Setcreasea commelinaceae, que agora espero venha a ganhar raízes para poder ser transplantada. 

Não há crime ao roubar plantas abandonadas em jardins alheios, pelo menos foi o que aprendi com a avó Maria Amélia.

Prometi que mal fizesse os primeiros novelos os mostrava, uma prova da enorme utilidade desta pequena máquina que infelizmente estava parada desde há anos... mas que agora volta a cumprir funções de forma tão eficiente. 

Obrigada querida Paula pela lembrança!