Dias maus também são diagnosticados

01 março 2015















Desde que este blogue foi criado, há cinco anos atrás, que coloco em causa a sua utilidade, mas quando penso nisso (e não são muitas as vezes em que lhe dedico tanta atenção) chego à conclusão que se há algum motivo para continuar, a razão está em mim e essa razão tem chegado para continuar. 
Imagino-me um dia mais tarde precisar de recorrer a este arquivo como um recurso a respostas. Na procura dum sentido, ou mais do que um, para tudo isto que é o dia-dia-dia e ao fim duns anos se resume a uma história, mais ou menos bem contada, a da nossa vida. Um diário que vai crescendo ao ritmo dos dias que são registados e dos outros que nunca chegam a ser e vai contando aos poucos mais de nós, do que nós próprios seríamos capazes ou teríamos coragem de fazer. 

A exposição é um assunto sério, mas tão pessoal que não aceito acatar julgamentos rápidos às minhas decisões. Se para alguns é estranho e criticável sujeitar-se a opiniões de pessoas que apesar de não nos conhecerem pensam que sim, apenas pelo facto de nos seguirem através das redes sociais, para mim é-me indiferente, já ser julgada e criticada por quem me conhece e me interessa, sim considero.

Já escrevi e rescrevi este post várias vezes, já o publiquei e despubliquei e agora mais uma vez, visto e revisto, decido-me a partilhá-lo.

O dia 4 de Fevereiro de 2015 vai ficar para sempre marcado pela resposta que tive a uma série de questões que se impunha (desde há 13 anos), serem respondidas, a bem da minha saúde física, mas principalmente mental. 

Confirmar-se que havia uma explicação para alguns dos dias maus por que tenho passado, e que essa está muito acima de mim e da minha capacidade de controlo, tirou-me um peso, o da culpa e trouxe-me outro, o da realidade, mas essa traz-me a possibilidade de me poder tratar e isso parece que não, mas equilibra tudo.

Como a maioria das verdades, algumas são cruas. Mas são verdades e só há duas maneiras de viver uma verdade, aceitá-la ou viver tentando negá-la. 
Eu escolho viver com a verdade e mesmo que a vida se torne mais difícil por isso, prefiro-a a uma mentira fácil. 
...

A linha amarela separa, cria uma barreira, mas é também um sinal de alerta.  

Se era preciso algo mais para este post fazer sentido a alguém que não eu (e já aqui estou a editar o texto mais uma vez, agora acho que é definitivo) é o exemplo, estarem atentos e  não desistirem. 
Havemos sempre de nos cruzar com linhas, sejam amarelas ou de qualquer outra cor, quando não as conseguimos atravessar só temos de encontrar uma forma de as contornar. Por agora é o que estou a tentar fazer. 

6 comentários :

  1. É verdade quando dizes que havemos de encontrar linhas amarelas no nosso caminho. Há quase cinco anos acordei com uma. Com uma dada ligeireza aceitei-a e disse que seria eu a estar à frente. Não falo sobre isso, mas são fantasmas que não consigo exorcisar. Do que escrevo é na maioria das vezes um escape. Se me lêem ou não, sei pouco. Se gostam, muito menos sei. Escrevo porque preciso, para o dia em que a memória falhar. Um beijo

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  2. Acompanhar os teus dias tem sido como que testemunhar um poema vivo. Eu gosto da verdade, só ela pode ser bela. Um abraço meu. :-)

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  3. Estou do outro lado do mundo e, de vez em quando, preciso de voltar. Não tenho saudades do pastel de belém, nem do bacalhau à bras. Tenho saudades de pessoas. Não te conheço, não te julgo. Muitas vezes não comento. Mas a verdade, se é a disso que hoje se trata, é que gosto de vir aqui, sinto-me bem quando encontro poesia, sinceridade e, acima de tudo, uma parte de uma pessoa. Uma parte de gosto. E que procuro.
    Não sei porque continuas este blogue. Sei porque continuo o meu. Porque gosto. E isso basta-me, porque tenho aprendido que sou uma pessoa simples, escrevo e leio porque gosto. Chega.

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  4. Às vezes, é só mesmo preciso gritar as coisas em voz alta. E depois acontece que há sempre alguém que as ouve. Um beijo .

    (Também já me preocupei com o lugar e o tempo das coisas acontecerem. Vão fazendo falta as respostas e as pessoas. Mas no fundo sabemos que estão e sempre estiveram , em nós.)

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  5. abraço apertado virtual

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  6. 'a verdade vos libertará.' é um trecho bíblico curioso. e o teu post fez-me lembrar dele.
    há pouco tempo, ouvia um jornalista numa palestra falar acerca da verdade, também. de como a arte/o belo é a procura pela verdade.

    a verdade também ilumina. ilumina o caminho adiante. nem sempre o torna mais fácil, mas torna-o mais belo e mais cheio de clareza.

    continuo a ler-te com muito prazer. por vezes, com um peso, porque escreves sobre dor de uma forma tão peculiar que é como se, depois de ler, carregasse um fragmento dessa dor comigo.

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