Coisas mimosas

14 abril 2011









Da Páscoa gosto das amêndoas, de preferência tipo francês e com amêndoas a sério e para as guardar, os pintainhos das Caldas. A caneca com florzinhas que, podem ser Miosótis rosa, trouxe-a da última feira e foi uma pechincha. 
A toalha, mais uma do enxoval, também ela tem Miosótis bordados, como os que trouxe do Gerês, no ano passado por esta altura e agora florescem no meu pátio. Gosto de trazer pedacinhos dos sítios que aprecio e de vez em quando lembrar-me deles.


Do Bordalo Pinheiro, além dos pintainhos deixados pela avó, gosto do modo como representa os elementos naturais e do carácter que lhes dá. Nesta loja no Porto, admirei as flores e os passarinhos e revi peças que vi aqui e aqui.

Um estendal e um Cheesecake









Ela já se deve ter apercebido do meu gosto por estendais pelas vezes em que tem de parar para me deixar fotografá-los. No meu dia de anos, acordei com um estendal na parede da sala! 
Se todas as receitas têm um segredo que as diferencia umas das outras e se é verdade que os segredos não são para revelar, eu concordo, para mim o mais importante num Cheesecake, além da qualidade do queijo e de o aromatizar com sumo de limão, é a bolacha não estar demasiado calcada e ensopada em manteiga que, a cobertura não seja uma simples papa de geleia ou compota, mas sim de frutos, todos iguais na cor vermelha mas variados. E o mais importante, ter um pano, com não sei com quantos anos, salpicado de margaridas e morangos silvestres, faz toda a diferença!

As prendas

12 abril 2011



As prendas mais importantes que recebi. 


Um desenho feito pela M, onde cabem todas as cores do mundo e as palavras mais bonitas. 

Um vídeo feito pelo Sebastião, de nove anos e pelos pais do Sebastião, que são meus amigos há muito, muito tempo e que vinha com a seguinte mensagem, espero que gostes porque só fazemos isto de 40 em 40 anos, por isso o próximo será aos 80...

Obrigada! Não podia ter ficado mais feliz!

11 abril 2011

40

Nasci num domingo e nesse domingo festejava-se a Páscoa. Quando fiz 11 anos, o meu aniversário voltou a coincidir com um domingo de Páscoa e aos 22 percebi que ía ser sempre assim, de onze em onze anos. Nunca gostei muito da época, apesar da festa, incomodava-me o ritual da passagem da Cruz e da cerimónia de receber o padre em casa. Gostava mais do costume que todos os anos se repetia, colher flores para juntar aos cestos e cestos que algumas mulheres da aldeia, recolhiam de casa em casa, para fazer os tapetes de flores.
Eu ao colo da minha mãe no dia do meu baptizado, ela num vestido, que não fosse o tipo de malhas que se usavam na época, não me importaria nada de vestir agora!
Se no ano passado fiz 39, este ano entrei nos 40! 

Em busca dos sabores perdidos II

09 abril 2011






São nabinhos especiais, cultivados pelo meu pai e apanhados da terra pela M. 
Cozidos juntamente com as folhas e os próprios grelos e apenas acompanhados com vinagre e um fio de azeite, são uma delícia. 

Chegou da aldeia feliz da vida, por lá ir poucas vezes e tudo ser tão novo para ela, mas também porque se sente bem e apesar da distância àquele meio mais rural, sente-se em casa, quando vem de lá só fala em voltar. Além das aventuras do dia, trouxe um ramo, atado com um fio de erva, flores de couve, trevos, o que encontrou!

Depois, uma mousse de maracujá de conserva, a confirmação de que certas frutas, não sendo a época delas o ideal é mesmo esperar... a esta polpa falta-lhe o aroma e a acidez, apesar das sementes, falta-lhe tudo o que é verdadeiro, quando os encontrar, frescos, à venda no mercado, vou voltar a repetir a receita.


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Em busca dos sabores perdidos

08 abril 2011






Sardinhas fritas em farinha milha e Ovos Verdes. Na família guardámo-los das memórias dos picnics e são alguns, destes e outros sabores, que nos reunem à mesa.

Dentro de pouco tempo esperamos conseguir com sabores antigos e novos criar memórias que mais tarde nos transportem, a todos, para lugares onde um dia, nos sentimos mesmo felizes...

O direito ao avesso

06 abril 2011




Chegou a vez de arregaçarmos as mangas, finalmente, a obra é nossa e a expressão faz agora todo o sentido. A ideia de sonho está mais materializada e podemos dizer que, quase tudo ficou como desejávamos. O nosso olhar mais exigente descobre sempre falhas, mas estamos muito satisfeitos com o que conseguimos, muito graças às pessoas com quem trabalhamos. Desde o chão ao tecto tudo esteve virado de pernas para o ar... O chão de lajes de granito foi todo levantado para deixar passar as canalizações e cada pedra voltou para o lugar que ocupa há mais de cem anos, o tecto, depois de se ter confirmado que estava totalmente podre e se ter decidido fazer um novo, seguiu-se à risca o mesmo tipo de travejamento e o resultado foi um tecto que mantem todas as características do anterior, mas que suporta a iluminação, alarmes e tudo o mais exigido, o mosaico hidráulico encomendado ao Mestre Lúcio Zagalo, veio numa viagem atribulada desde Estremoz, mas cá chegou, os azulejos Viúva Lamego, ficaram presos na estrada, durante a greve dos camionistas, mas já forram as paredes e se não surgirem mais precalços tudo estará pronto em breve!

05 abril 2011

...

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores,
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas. 

de O Guardador de Rebanhos1911-1912 
Fernando Pessoa

03 abril 2011

Rosa e riscas






Não tenho muitas afinidades com o cor de rosa, são poucos os tons que tolero. Quando a M me pediu um quarto cor de rosa, deitei as mãos à cabeça e negociei com ela apenas uma parede. Para ficar menos sofrível, à nossa vista, não à dela, surpreendi-a colando uns desenhos feitos por ela...
Passou a fase rosa, eu não me lembro de ter passado por ela, temos tendência a esquecer o que menos nos agrada (ou será o contrário?), não me importo muito que passe por estas fases, para mim o mais importante é que consiga sair delas! 
Recebi rosas, rosas a sério, duma roseira muito antiga, como já é difícil encontrar. Vinham numa caixa de gelados que era o que estava à mão!
A M recebeu amêndoas, das pintadas manualmente, sem amêndoa mas com direito ao nome e recheadas de licor.
Ontem foi um dia rosa, e como disse, não gosto muito de cor de rosa... Melhores dias virão, espero, com mais variedade cromática!