40
Nasci num domingo e nesse domingo festejava-se a Páscoa. Quando fiz 11 anos, o meu aniversário voltou a coincidir com um domingo de Páscoa e aos 22 percebi que ía ser sempre assim, de onze em onze anos. Nunca gostei muito da época, apesar da festa, incomodava-me o ritual da passagem da Cruz e da cerimónia de receber o padre em casa. Gostava mais do costume que todos os anos se repetia, colher flores para juntar aos cestos e cestos que algumas mulheres da aldeia, recolhiam de casa em casa, para fazer os tapetes de flores.
Eu ao colo da minha mãe no dia do meu baptizado, ela num vestido, que não fosse o tipo de malhas que se usavam na época, não me importaria nada de vestir agora!
Se no ano passado fiz 39, este ano entrei nos 40!
São nabinhos especiais, cultivados pelo meu pai e apanhados da terra pela M.
Cozidos juntamente com as folhas e os próprios grelos e apenas acompanhados com vinagre e um fio de azeite, são uma delícia.
Chegou da aldeia feliz da vida, por lá ir poucas vezes e tudo ser tão novo para ela, mas também porque se sente bem e apesar da distância àquele meio mais rural, sente-se em casa, quando vem de lá só fala em voltar. Além das aventuras do dia, trouxe um ramo, atado com um fio de erva, flores de couve, trevos, o que encontrou!
Depois, uma mousse de maracujá de conserva, a confirmação de que certas frutas, não sendo a época delas o ideal é mesmo esperar... a esta polpa falta-lhe o aroma e a acidez, apesar das sementes, falta-lhe tudo o que é verdadeiro, quando os encontrar, frescos, à venda no mercado, vou voltar a repetir a receita.
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Sardinhas fritas em farinha milha e Ovos Verdes. Na família guardámo-los das memórias dos picnics e são alguns, destes e outros sabores, que nos reunem à mesa.
Dentro de pouco tempo esperamos conseguir com sabores antigos e novos criar memórias que mais tarde nos transportem, a todos, para lugares onde um dia, nos sentimos mesmo felizes...





Chegou a vez de arregaçarmos as mangas, finalmente, a obra é nossa e a expressão faz agora todo o sentido. A ideia de sonho está mais materializada e podemos dizer que, quase tudo ficou como desejávamos. O nosso olhar mais exigente descobre sempre falhas, mas estamos muito satisfeitos com o que conseguimos, muito graças às pessoas com quem trabalhamos. Desde o chão ao tecto tudo esteve virado de pernas para o ar... O chão de lajes de granito foi todo levantado para deixar passar as canalizações e cada pedra voltou para o lugar que ocupa há mais de cem anos, o tecto, depois de se ter confirmado que estava totalmente podre e se ter decidido fazer um novo, seguiu-se à risca o mesmo tipo de travejamento e o resultado foi um tecto que mantem todas as características do anterior, mas que suporta a iluminação, alarmes e tudo o mais exigido, o mosaico hidráulico encomendado ao Mestre Lúcio Zagalo, veio numa viagem atribulada desde Estremoz, mas cá chegou, os azulejos Viúva Lamego, ficaram presos na estrada, durante a greve dos camionistas, mas já forram as paredes e se não surgirem mais precalços tudo estará pronto em breve!
...
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores,
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
de O Guardador de Rebanhos1911-1912
Fernando Pessoa
Rosa e riscas
Não tenho muitas afinidades com o cor de rosa, são poucos os tons que tolero. Quando a M me pediu um quarto cor de rosa, deitei as mãos à cabeça e negociei com ela apenas uma parede. Para ficar menos sofrível, à nossa vista, não à dela, surpreendi-a colando uns desenhos feitos por ela...
Passou a fase rosa, eu não me lembro de ter passado por ela, temos tendência a esquecer o que menos nos agrada (ou será o contrário?), não me importo muito que passe por estas fases, para mim o mais importante é que consiga sair delas!
Recebi rosas, rosas a sério, duma roseira muito antiga, como já é difícil encontrar. Vinham numa caixa de gelados que era o que estava à mão!
A M recebeu amêndoas, das pintadas manualmente, sem amêndoa mas com direito ao nome e recheadas de licor.
Ontem foi um dia rosa, e como disse, não gosto muito de cor de rosa... Melhores dias virão, espero, com mais variedade cromática!

Os bonecos estão de malas aviadas!
Depois de ter colocado uma nova manta na loja, mais uma começa a crescer e a ganhar o seu espaço!
Manta feita à mão em crochet
cada quadrado é diferente do outro - manta única
fios portugueses 70% acrílico 30% lã antialérgico
e fios 50% acrílico 50% lã
83 x 110 cm
disponível aqui
Manta nova e cadeira velha | nova
Uma manta pronta para a loja, a virtual e a outra e uma cadeira, a juntar a outras que irão para o nosso novo espaço, logo que esteja pronto para abrir!
Aprendi a fazer suspiros com uma antiga vizinha da minha mãe, fazia-os muito pequeninos e de vez em quando surpreendia-nos com um pratinho deles para o lanche. O prato era devolvido, mais tarde, com bolachas ou biscoitos. Havia um código secreto de boa vizinhança, uma partilha entre vizinhas, que se encontravam porta com porta e em casos de aflição se, a meio de um cozinhado, faltava um ovo ou um pouco de farinha, tocavam à campainha uma da outra. Entretanto passaram muitos anos, outras casas, outros vizinhos e vizinhas, mas nenhuma como a Dona Irene.
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Receita
2 claras
75 g açúcar
raspa de limão qb
Começar por bater as claras em castelo e ir juntando, aos poucos, o açúcar e a raspa, até que fiquem bem firmes e brilhantes. Com um saco de pasteleiro fazer pequenos montinhos num tabuleiro forrado com papel e levar ao forno, numa temperatura baixa, durante aproximadamente 1 hora e meia.
Juntando-lhes lacas finas de amêndoa terão uns suspiros Arrepiados.